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quarta-feira, 29 de abril de 2020

Os vírus

Raquel Viana Raad
Professora de Ciências
Instagram: @prof.raquelviana


Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre os vírus, mas você sabe o que são os vírus? Qual a estrutura deles e como eles se comportam?

Os vírus são partículas acelulares, isto é, não são formados por células. Comparado com os outros seres conhecidos, os vírus são os seres menores e mais simples.  Eles têm o tamanho muito menor do que as células e não são visíveis ao microscópio ótico, mas são visíveis ao microscópio eletrônico.

Os vírus são compostos de uma cápsula de proteína, chamada de capsídeo, e de material genético, que pode ser o DNA (ácido desoxirribonucleico) ou o RNA (ácido ribonucleico). Observe essa estrutura na imagem a seguir:



  
Dependendo do tipo de vírus, o formato do capsídeo pode variar, podendo ter a forma de poliedro ou assumir a forma de bastão e outras mais complexas. Observe essa diversidade na imagem a seguir:



Alguns vírus possuem externamente uma membrana formada de lipídios (gordura) e proteínas, chamada envelope. As proteínas do envelope viral são específicas para cada tipo de vírus e determinam qual tipo de célula ele irá infectar. Essas proteínas participam do processo de infecção de uma célula. O vírus da AIDS (HIV), o vírus da gripe (Influenza) e o vírus causador da covid-19 (SARS-CoV-2), por exemplo, são vírus envelopados. Observe na imagem a seguir a estrutura de um vírus envelopado:




A infecção começa quando a proteína do envelope viral se liga a proteínas da membrana plasmática da célula hospedeira. Alguns medicamentos antivirais atuam nessas proteínas do envelope, reduzindo a capacidade do vírus de se ligarem a célula hospedeira e, assim, reduzindo a infecção.

Os vírus não possuem metabolismo próprio, diferentemente de todas as formas de vida conhecida. Isso significa que eles só se tornaram ativos quando infectam uma célula viva. Dessa forma, os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios.


terça-feira, 28 de abril de 2020

Transmissão do Coronavírus e a Globalização

Ana Letícia Timóteo
Professora de Geografia

A palavra pandemia tornou-se a mais comum para nos referirmos à situação mundial provocada pela COVID-19, doença provocada pelo Coronavírus. Esse termo é designado a doenças que se propagam em diversos países simultaneamente e apresentam rápida proliferação, ou seja, são altamente infecciosas. O Planeta Terra já viveu algumas pandemias em sua história, como a da Peste Negra, que se alastrou por três diferentes continentes: Europa, Ásia e África. Entretanto, apesar de ambas serem doenças de alto contágio e consideradas pandemias, as formas e a velocidade de contaminação constituem uma grande diferença entre elas.

A transmissão de uma doença de um país para outro acontece por meio do trânsito de pessoas, quando indivíduos contaminados viajam e entram em contato com a população do local de destino, contagiando-a com o novo vírus. Pensando nisso, a Peste Negra e a COVID-19 apresentam a mesma forma de espalhamento pelo mundo, o que as diferencia são os meios de transporte e, consequentemente, as maneiras de transitar.

Segundo dados de historiadores, a Peste Negra, por meio das viagens de navio, demorou alguns anos para passar da Ásia para a Europa. Já a COVID-19 em poucos meses já está em todos os continentes do mundo, como é possível perceber no mapa elaborado no dia 26 de abril de 2020 apresentado a seguir.

 https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51718755

Para analisarmos a diferença no tempo de disseminação das duas doenças é necessário considerar o fenômeno da globalização, no qual as distâncias parecem mais curtas, os países aparentam ter fronteiras menos rígidas e os meios de transporte e comunicação estão muito mais ágeis. Assim como o pesquisador Carlos Walter Porto-Gonçalves escreveu em 2011: “É que antigamente as doenças ficavam restritas geograficamente e hoje, ao contrário, os deslocamentos mais intensos entre lugares torna o mundo mais vulnerável como um todo.” Essa vulnerabilidade mundial está cada dia mais clara após o surgimento do Coronavírus, evidenciando que a maior parte dos países não está preparada para uma doença com alto nível de contágio e que uma das estratégias mais utilizadas é, exatamente, suspender o deslocamento, tão comum em nossos dias atuais.



terça-feira, 21 de abril de 2020

As doenças na história - A Peste Negra

        Herbert Timóteo
Nathália Sampaio


Ao longo de toda a história da humanidade, desde os nossos ancestrais mais distantes, o ser humano conviveu com doenças as mais variadas, transmitidas por animais ou pelos próprios semelhantes, com as quais não havia muitos recursos para combatê-las. Se formos pensar em todo o tempo que já passou, desde que os primeiros seres humanos começaram a povoar a Terra, faz muitíssimo pouco tempo que houve descobertas importantes, como as vacinas e os remédios mais potentes, que permitiram aos médicos e cientistas combater vírus ou bactérias. Na maior parte do tempo, outras medidas foram tentadas, sendo o isolamento social uma das mais praticadas. 
       
Neste primeiro texto, iremos abordar a Peste Negra, doença que se transformou em epidemia ou em pandemia, uma vez que atingiu a Ásia, o Oriente Médio e a Europa no século XIV. Há muitas semelhanças entre a peste que abateu um quarto da população da época e a atual pandemia da Covid-19, transmitida pelo Coronavírus, assim como, obviamente, muitas diferenças. Iremos tratar, nas próximas linhas, num esforço de escrita que agrega as áreas de Ciências e História, dessas semelhanças e diferenças buscando contribuir para, à luz dessas duas áreas, compreender o momento presente.
        
Também conhecida como Peste Bubônica, a doença é causada pela bactéria Yersinia pestis e atingiu a Europa por meio de navios vindos da Ásia e que faziam as rotas comerciais desde o século XIII, principalmente a Rota da Seda. Assim como na epidemia do novo coronavírus, a principal via de acesso ao continente foi a Itália.



Inicialmente, o bacilo foi transmitido aos humanos pelas mordidas de pulgas e piolhos que parasitavam os ratos dos navios. As péssimas condições de higiene na época e as aglomerações nas cidades favoreceram a rápida disseminação. Com o tempo a peste começou a ser transmitida também pelo ar, por meio de gotículas de saliva e espirros.
         
De evolução rápida - de 6 a 8 dias -  a peste dizimou entre 75 a 200 milhões de pessoas da Europa e da Ásia no século XIV.  As principais vítimas foram as crianças e aqueles que estavam debilitados pela desnutrição ou por doenças como a tifo e a sífilis, comuns na época. 
         
Os sintomas vão desde febre alta, dores de cabeça e nas articulações, náuseas e vômitos, podendo evoluir para manchas escuras na pele (daí o nome Peste Negra) e tumores por todo o corpo - também chamados bubos (daí o nome Peste Bubônica). A taxa de mortalidade para as formas mais graves era de mais de 90 por cento. 
        
Acreditava-se que a epidemia se espalhava pelos maus odores do ar. Nesse sentido, os médicos usavam máscaras em formato de bico e com ervas aromáticas na ponta, numa tentativa - mal sucedida - de purificar o ar. Outras medidas de prevenção incluíam a quarentena obrigatória, a higiene pessoal e a incineração dos cadáveres.



Até meados do século XVII, houve mais de uma pandemia de peste no planeta e até hoje a doença existe, porém com alta taxa de cura. No Brasil, ainda há registros na região Nordeste, no Vale do Jequitinhonha (Minas Gerais) e no Rio de Janeiro. Não há vacina e o tratamento é feito à base de antibióticos e requer isolamento de cerca de uma semana.
  


segunda-feira, 20 de abril de 2020

Um relato da época da Peste

Giovanni Boccaccio nasceu e morreu na Itália no século XIV e escreveu, como uma de suas principais obras, o Decameron, que é um conjunto de 100 contos tendo como pano de fundo a peste negra. Vamos apresentar abaixo um trecho do Decameron. Trata-se de uma narrativa da peste. O texto contém expressões que podem soar estranhas ao leitor da atualidade, mas não podemos esquecer que foi escrito há mais de 600 anos, entre 1348 e 1353.

”Afirmo, portanto, que tínhamos atingido já o ano bem feito da Encarnação do filho de Deus, de 1348, quando, na mui excelsa cidade de Florença, cuja beleza supera a de qualquer outra da Itália, sobreveio a mortífera pestilência. (...)

Na cidade de Florença, nenhuma prevenção foi válida nem valeu a pena qualquer providência dos homens. A praga começou a mostrar quase ao principiar a primavera do ano referido, de modo horripilante e de maneira milagrosa, os seus efeitos. (...) A entrada nela (na cidade) de qualquer enfermo foi proibida. Muitos conselhos foram divulgados para a manutenção do bom estado sanitário. (...)

A peste, em Florença, não teve o mesmo comportamento que no Oriente. Neste, quando o sangue saía pelo nariz, fosse de quem fosse, era sinal evidente de morte inevitável. Em Florença, apareciam no começo, tanto em homens como nas mulheres, ou na virilha ou na axila, algumas inchações. Algumas destas cresciam como maçãs; outras como um ovo; cresciam umas mais, outras menos; chamava-as o populacho de bubões. Dessas duas referidas partes do corpo logo o tal tumor mortal passava a repontar e a surgir por toda a parte. Em seguida, o aspecto da doença começou a alterar-se; começou a colocar manchas de cor negra ou lívidas nos enfermos. Tais manchas estavam nos braços, nas coxas e em outros lugares do corpo. Em algumas pessoas, as manchas apareciam grandes e esparsas; em outras, eram pequenas e abundantes. E do mesmo modo como, a princípio, o bubão fora e ainda era indício inevitável de morte futura, também as manchas passaram a ser mortais, depois, para os que as tinham instaladas. (...)

Esta peste foi de extrema violência; pois ela atirava-se contra os sãos, a partir dos doentes, sempre que doentes e sãos estivessem juntos. (...) Não apenas o conversar e o cuidar dos enfermos contagiavam os sãos com esta doença, por causa da morte comum, porém mesmo o ato de mexer nas roupas, ou em qualquer outra coisa que tivesse sido tocada, ou utilizada por aqueles enfermos, parecia transferir, ao que bulisse, a doença referida.”  


(Boccaccio, Giovanni. Decameron. São Paulo, Abril Cultural).